O destino é
estranho, bizarro e incerto. Coisas que pareciam ser tão concretas ruem em
abstrações em meros segundos sinápticos. Era e já não o é; futuro do pretérito
do indicativo. Ou futuro do presente fantasiado com lençóis brancos e furos nos
olhos. Olhos pretos que me observam toda noite por de baixo da cama. Não posso
erguer os panos agora, devo esperar. Ah, eu odeio esperar.
As coisas nem sempre
são como desejamos, nem sempre satisfazem nossas ânsias. Mas pode não ser o
fim. Há horas em que o perfeccionismo deve ser deixado de lado, a razão
escondidinha embaixo dos cobertores, e ouvir o seu ‘eu’. O interior escuro, profundo
e complexo, o vazio cheio de pensamentos e ideias, que devem ser ouvidas e
postas na balança da vida. Nem sempre ela pesará para o lado mais fácil. Nem
sempre.
A vida é curta; e se eu for viver os anos que acredito que
vá, será mais curta ainda, então por quê? Por que perder a vida, quase na
metade, sem eles? Eles...
Não dá pra sair desse fosso em que me meti sem
consequências. Apenas desejo força para lidar com elas sem perder pedaços de
mim no caminho, sem perder carnes que são necessárias pra prosseguir. Sem
perder a cabeça no meio das drogas de bula que são necessárias, em parte, pra
me privar dos piores defeitos. Defeitos deste mundo.
Talvez, naquele mundo imaginário e paralelo, as coisas
sejam outras, você seja outro, tenha outros objetivos, outros amores. E talvez,
quem sabe, esse mundo possa interferir no nosso e explodir coisas na sua cara
que o faça pensar. Pensar em tudo e reconsiderar as coisas. Os amores.
Quando um sino bate dentro do seu ouvido e retumba na
frequência dos sinos atriais, você para tudo e reconsidera. Um mundo novo. Uma
vida nova. Viver.
Viver. E basta.

