Não sei nem explicar aquele sentimento. Aquela sensação de podridão por causa da mente limitada de outra pessoa. E eles nunca te entendem.
Parece-me que três tarjas pretas ainda não foram suficientes pra fazer entender que eu preciso de ajuda; tanto química quanto afetiva dos próximos. Tem uma bomba-relógio dentro do meu cérebro, e eu juro que o meu maior desejo é que ela não exploda. Mas está fora do meu alcance. Sempre está. Dá pra parar um pouco com essa bobagem de mente religiosa e ignorante e tentar me entender? Não estou brincando com essa porra de vida. É uma merda, mas é minha e é tudo o que eu tenho. E tem gente que ainda está tentando tirá-la de mim. Aos poucos. E dolorosamente.
Os últimos meses estão sendo os mais fodas. Em tudo. E tá tudo tão mais difícil, tão mais complicado e insuportável. Dá pra entender? E a culpa nem minha é, pelo menos não voluntariamente. Essa merda de cérebro. Nessa merda de corpo que não é capaz de controlar direito a merda das supra-renais. Chega.
Dê-me meus Rivos, dê-me os hipnóticos também, preciso dormir. Dormir e me livrar de vocês, me livrar de mim mesma e ser eu. Só eu e os probleminhas fúteis e secundários que qualquer pessoa tem; quero tê-los e só me preocupar com eles. Com a droga de festa pra ir, com quem ir, onde irei comer amanhã, onde irei dormir. Quero uma vida nova, por favor, pode ser com bastante gelo, mas que venha correndo, à galope com a felicidade.
Chega. Já deu. Não quero mais guerrear com a minha própria mente sádica. Quero que ela me dê paz, páginas em branco pra me preocupar, e quero que você também me dê paz. Pare de pegar no meu pé e olhe mais para o seu. Se o meu problema é "frescura", olha, posso garantir que o seu não é. Não é. Se há algum deus pra você, peça que seja misericordioso com a sua alma; ela não vale tanto assim e já causou mal demais à minha.
Dê-me também uns cigarros e umas bebidas fortes. A droga do Rivo não tá fazendo efeito nenhum. Meu coração vai sair pela garganta, destroçando todo o resto no caminho, como um grande vômito sangrento e arrebatador; e quando ele finalmente sair pela minha boca, vai zombar da idiota que eu fui o tempo todo.
“…Às vezes digo a mim mesmo: o seu destino é único; considere os outros felizes… ninguém sofreu tanto assim. E, depois, leio um poeta antigo e é como se estivesse lendo o meu próprio coração. Tenho que passar por tanta coisa! Ah! Será que já houve antes de mim homens tão desgraçados?…”- Goethe.

