crises


   Chega um tempo na vida de um ser humano onde ele para pra pensar na sua vida e em tudo o que ela lhe deu. E cria dúvidas. Dolorosas, amigáveis ou sorrateiras. Mas todos acabam tendo a maldita crise da meia idade. Pois eu estou tendo-a agora. Com meus 20. Porque pensando bem, esta pode bem ser a minha meia idade, eu nunca disse que viveria muito de qualquer forma. Enfim, essa crise. Vão-se lá meus entusiasmos de juventude e travessuras, vão-se lá meus 20. Ai.
   Complicado demais em sequer poder abrir esse leque de possibilidades aqui na minha frente, mas eu e meu despudor teimamos. E sofremos.
   Não queria ver. Não queria ter que decidir coisas tão pesadas assim, sóbria, racional.
   Como eu gostaria de poder escolher as coisas por paixão assim como se faz com homens. O homem você escolhe por paixão ou por desejar sentí-la. Porque não tudo o mais? Hein? Não. O mundo é exatamente o contrário de paixão e eu nem sequer sei que palavra viria a ser esta.

   Hoje, depois de três calmantes e algumas doses de cachaça, não me sinto a pessoa mais crível do mundo para qualquer decisão  - foi difícil até decidir o sabor do lanche na rua - mas tenho a certeza de que se eu pudesse escolher algo pra minha vida agora, eu teria uma resposta. Viajada talvez, mas eu teria um resposta e ela não seria aquele monte de lágrimas que me vieram esta tarde. Ela seria apenas uma palavra. Uma palavra num trabalhinho de escola na quarta série. Uma palavra que minha professora da terceira série deve ligar à mim até hoje. Isso, assim. E sairia fácil, fácil. Mas quem, afinal, ouve uma pessoa fora de si? Quem ouve uma menina que mistura tarjas pretas e álcool? Eu deveria?
   Talvez devesse, porque sei que alguém no mesmo nível em que me encontro neste momento, não mentiria. Eu não desejo mentir; quero poder dizer a verdade pra mim e pra todos à minha volta, mas vai doer e talvez eu não aguente a frustração dos outros. A minha própria. Eu quero dizer, mas tenho medo. Típico.
   
   Tristemente eu não sou maquiavélica e os meios, importam mais do que os fins. Nasci para os meios mais confusos do mundo, e os fins? Pouco me importam.



texto nem tão aleatório numa madrugada dopada
25-26/01/2012

 

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