Um poema de Roxy Giáconi.
O vento bate na minha janela.
Com ele, o frio adentra meu quarto;
uma noite que me traz a mim mesma.
O melhor tipo de noite.
Sinto uma onda de coisas,
coisas diferentes, mas
igualmente importantes.
Coisas novas, principalmente.
E no meio disso, ele paira
na minha
mente.
Entre umas angústias e outras
ansiedades
sinto um sentimento
estranho. Uma paz
que eu nem me lembrava mais.
Uma paz lá na alma.
Uma paz que veio com ele.
Que demorei a ver.
Ah, primavera com gostinho
de inverno.
Agora deitada na minha cama
me lembro das nuvens escuras que vi
hoje e seu rosto sorri
dentro da minha mente.
Para a minha mente.
E é um sorriso tão virulento
que faz minha mente sorrir,
e me ver coisas que eu temo.
Sempre temi.
Vou continuar temendo, mas,
um pouco menos. Talvez.
Pego uma nova cerveja e sinto
seu gosto. O gosto
compartilhado entre beijos.
Ai, minhas paixões alcoólicas.
Minhas cervejas entre pulsos
de um coração jovem e bêbado
da vida.
Ah, primavera com gostinho
de inverno.
No momento, só quero poder viver isso
e aquilo. Sem pirar.
Acertar meus assuntos
com a vida.
Ficar livre.
Poder sentir a brisa do vento,
poder compartilhar uma cerveja,
ou um whiskey
ou um sorriso.
Ouvindo Strokes,
BRMC, ou até mesmo Nirvana.
Mas podendo ser, apenas.
Ah, essa maldita primavera.

