Sinto-me outra, mas a mesma. Sinto-me como se uma nova Fabiana houvesse adentrado meu corpo e dividido com a velha a mesma alma. Como em A Hospedeira. Só que numa alma só.
Engraçado que eu acredito em alma. Sim. A beleza de não fazer parte de nenhuma associação religiosa é que posso acreditar ou não naquilo que bem entender. Não acredito em deuses, nem em anjos, nem em demônios e nem no capeta, mas acredito em alma. Alma como consciência, como a mente pensante, como a parte que raciocina dentro de um corpo. Como aquilo que desaparece quando morremos. O "eu" que temos dentro dessa máquina de carne que se move.
E a minha alma sofreu várias modificações por esses últimos meses, pequenos Legos da mente remexidos e colocados em melhor posição, creio eu. Fazendo-me nova dentro da velha.
Mudanças de conceitos, mudanças de visões e perspectivas. Mudanças nos óculos de se enxergar a vida. Os óculos de novo. Como naquele texto escrito há mais de ano; só que agora parece que encontrei um melhor do que todos os outros e enxergo bem. Diferente, mas melhor. Pelo menos para mim.
Superei alguns medos, encontrei novas possibilidades, encontrei uma nova Fabiana perdida lá no fundo, perto das lembranças dos 11 anos. Encontrei suas ideias inocentes, e elas me pareceram plausíveis o bastante para reconsiderá-las. Encontrei novas definições para as birras antigas, encontrei novas definições sobre o relacionar-me. Muitos tesouros perdidos ou que nunca foram antes explorados.
E eu me sentia tão certa sobre tudo.
Quão tolos são aqueles cheios de certezas.
Pelo menos ando menos tola agora.
Pelo menos ando aberta à mudanças.
Está tudo tão novo e estranho que às vezes sinto-me como uma adolescente de novo. Com os medinhos juvenis, com as apreensões da coisa desconhecida, do novo. E ah! Quanta coisa nova ando provando e deliciando-me. Quantas novas ideias. Quanta nova esperança que brotara na minha terra.
Mas nem tudo fora remexido e mudado, algumas coisas foram apenas desenterradas e reanimadas. Algumas coisas antigas também surgiram e isso me fez sentir-me de novo. Sentir que aqui dentro dessa máquina de carne está a boa e velha Fabiana cujas partes podres - algumas, pelo menos - estão sendo arranjadas de uma nova maneira. De uma maneira que não me faça perder-me de novo, e que não deixe minha máquina vagando desenfreada por aí, correndo o risco de falhar nas mecânicas.
Ando com tempo de me analisar mais. Na verdade, é disso que se trata esse 2013 e olha, as coisas estão saindo melhor do que esperava. Muito melhor do que eu esperava que um dia conseguiria. Ainda está muito longe de ter terminado, muito longe de deixar as coisas como eu quero ou como realmente devem ser. Não tenho o poder de saber o que é o certo e o errado em vários pensamentos, mas tenho a chance de fazer as coisas de maneira mais acertada e menos maluca, menos psicótica comigo mesma. Menos auto-destrutiva.
Enfim, é um recomeço. Ou um retomar de vida. Sinto-me outra, mas a mesma.
- do meu diáriozinho.

