Roxy parou de olhar a tela de seu notebook. O quê, afinal, significavam aquelas horas perdidas em frente ao seu doce e melhor amigo? Eram horas em que ela podia fugir de sua mente, horas em que ela não precisava ser ela. Ninguém requereria isso. Nem mesmo seu Mac. Ele apenas sabia que era ela e isso bastava. Nenhuma escolha, nenhuma resposta, nenhum julgamento. Com seu computador ela estava segura. Estaria mesmo?
Mas a questão era não precisar entrar em contato com si mesma, o quê, no fundo era o que mais estava desejando. Um desejo um tanto difícil de satisfazer, um tanto dolorido demais para suas pobres tentativas. E ela continuava inventado coisas para gastar o tempo. Inventando histórias para não ter que lidar com a sua própria.
Ela sempre tivera uma mente muito complicada. Muito cheia de coisas, como se um turbilhão de pensamentos e ideias novas e velhas se chocassem umas contra as outras e sua raiva apenas crescia. Roxy sabia que não podia descontar nas outras pessoas, pessoas - até certo ponto - inocentes. Então ela se auto-mutilava com pensamentos agressivos e maus. E isso a fazia sofrer. Segurava suas entranhas em atos proibitivos. Ela virara a marionete de sua consciência.
Nathan havia ligado na outra noite. Convidando-a para sair qualquer dia daqueles. Mas ela sabia que não iria. Ela queria, sim, no fundo, queria muito, mas não podia. Era um garoto bom demais. Gentil demais. Fofo demais. Por quê não deixá-lo assim como estava? Seguro em algum lugar do planeta que não fosse com ela?
Mas ela não deixaria, deixaria? Ela tinha esse problema…
Roxanne largou o aparelho e se jogou de costas na cama. Sua cabeça não poderia explodir assim do nada, poderia? Parecia que sim, e virar-se de lado parecia como se estivesse deitando em agulhas ou em pontas de cacos de vidros. Sua impressão era de que as veias próximas às suas fontes fossem estourar. Maldita cabeça, pensou.
* * *
Não é fácil em nenhum sentido entender como funciona um cérebro e sua mente. Principalmente eu que tenho uma mente sádica. Uma mente que joga contra, a cada merda de pensamento que tenho. Como seria fácil poder ser aceita e sentir o apoio dela, mas ela cria um jeito, uma maneira de auto-sabotar meus sentimentos, minhas ideias, minhas ações. Valeu aí, cabeçinha.
E hoje ela deu mais um passo na sua escalada em ser a maior cretina da Terra. Criando-me situações imaginárias um tanto quanto desagradáveis, lembrando-me de coisas que eu já queria ter esquecido há muito tempo. Muito.
Fico pensando quando poderei ter seu suporte, quando poderei ter uma ideia e ela concordará comigo. Isso anda cada vez mais desagradável entre nós. Nós? Haha. Eu. Enfim. Maldita. Juro que se pudesse me separar dela e viver sozinha seria uma grande coisa. Mas não seria eu, seria? Enquanto isso, fico eu e Roxy, guerreando em D.R.s eternas com nossas mentes doentias.

