Que saco de dia que foi esse. Aff, domingos. E o que é ainda pior, domingo com enxaqueca. E sem nenhuma gotinha de álcool nesse meu corpo podre. Na verdade, não me lembro da última vez que postei alguma coisa sem ter bebido antes. Sou como a Winehouse. Sinto pela falta de modéstia.
Não quero falar do Enem. Eu perdi a droga da prova por estar atada na cama com a cabeça em chamas e o cérebro gelatinoso e borbulhento lá dentro. Acho que até tive febre, e não tenho a mínima ideia das drogas que ingeri tentando me libertar da agulha lancinante que penetrava minhas têmporas e olhos. Sobrepus remédios diferentes com drogas diferentes pra ver se alguma coisa ajudava. Meio que um desespero. E pesinho na consciência. Vadia.
Minha consciência é bipolar before it was cool; tem hora que ela se importa com coisas realmente importantes, e na maioria do tempo, só me confunde. Importa-se com perda do Enem, mas não com o fato de eu estar perdendo a minha vida por causa disso e deixando outras coisas importantes - embora nada promissoras - completamente de lado. Ela precisa aprender a moldar as coisas. Um dia se importa demais com as minhas relações de amizade e no outro, me deixa morrendo de saudades deles porque, obviamente, eu devo ter feito alguma merda. É como uma demente segurando facas afiadas nas mãos. Socorro.
E a culpa é toda minha.
Espera aí que eu vou afogar todas as mágoas da minha vida em jogos de computador. É. As pessoas só falam mal dos videogames, mas que beleza de distração contra depressão e ansiedade eles verdadeiramente são! Viver a vida de outro, ter os problemas de outro e viver numa época totalmente diferente da sua? É uma grande distração, amigos. Eu recomendo à todos. Principalmente àqueles que, frustrados com a própria vida, vão cuidar da alheia. Colegas, criem um tamagochi.
Ah, isso me lembra outra coisa. Todas as pessoas têm um pouquinho de ansiedade, a natural, mas não fiquem fazendo disso uma grande coisa. Ou como um dia foi a vez da bipolaridade, parece estar na moda ter ansiedade ou até mesmo depressão, mas queridos, isso é uma bosta. Uma tremenda merda e atraso de vida, nem queiram saber como é. Eu sou diagnosticada e tenho alguns anos de cursinho nas costas pra provar como a ansiedade foi - e ainda é - uma bela duma vadia sem coração. Sério. Eu invejo poder ter problemas comuns e cotidianos como os de todo mundo. Invejo não precisar da merda de um remédio pra ter uma tarde comum de estudo. Pois é.
Não vou ficar falando mais dessas cosas aqui. Aqui é o meu refúgio. O meu lugar. Onde posso ser eu e não temer à mim mesma. Simplesmente esquecer.
Divaguei demais. Talvez eu esteja precisando também da Rita Lina. Ou talvez seja unicamente minha constante e irritante mudança brusca de assunto; aquele que eu planejava e que me atordoou o maldito dia todo. Mas outro dia eu faço um texto pra isso, todo enfeitadinho, alcoólico e metafórico para que não seja compreendido pelo meu alvo desenhado todo borrado lá naquela parede escura. Like always, Snape.

