that road


No começo eu achava isso tudo uma bobagem, uma possibilidade quase inexistente. Uma tolice.
Vesti meu escudo mais forte e fui. Fui, fui, fui. E continuava achando estar intacta, inteira e que sairia vencedora. E continuei achando por mais um tempo.
Então por uns dias reavaliei a possibilidade e ri da minha cara por considerar tal ideia. Eu estava sendo idiota.
Segurei a face de durona e segui por mais umas curvas estreitas do caminho pedregoso que passava. E continuei sendo a mesma, e sendo invicta. Nenhum dragão poderia se quer alterar um músculo em meu rosto. Eu sabia estar certa das coisas dentro de mim e comigo mesma. Segui.
Aos poucos fui sentindo a armadura trincar. O aço estava rachando ou cedendo por causa do fogo. Mas segurei a espada em riste e continuei avançando, mesmo sabendo do caminho tortuoso que seguia e que poderia me pregar peças no final. Um dia meu elmo caiu no chão e a imagem me fez refletir. Eu estava fazendo uma enorme bobagem, desde que entrara para aquela batalha; eu deveria ter reconsiderado mais, mas o furor me fez ir, escondendo as partes racionais pra debaixo do tapete. E eu fui sem saber se conseguiria voltar.
Tentei pegar o elmo do chão e colocá-lo de volta na cabeça, mas ele já estava deformado o bastante para que não coubesse de novo. Desejei que só o que usava conseguisse me proteger das labaredas e espadas afiadas que pudesse encontrar pelo caminho. Por longo tempo estive correta. E fui indo firme e forte.
O acaso me obrigou a parar momentaneamente, abandonar as adagas e as flechas. Tentei. E senti que precisava mais do que tudo voltar ao campo, voltar simplesmente. E do ponto em que me encontrava, não consegui ver o caminho de volta. Fui, mas não pude mais regressar. Os mapas estavam todos perdidos, e de certo modo meu coração me impedia de fazê-lo. Eis o grande problema sempre.
Talvez eu encontre o mapa perto do elmo que abandonei naquela trilha, ou talvez eu consiga voltar por mim mesma. Sexto sentido. Olhei em volta e me vi caída dentro de uma armadilha, eu caíra afinal. Ergui-me e respirei fundo algumas vezes, peguei a espada jogada próxima a uma pedra, e com o peito inflado fui sem olhar pra trás.
Voltar ao início era tudo o que eu queria.


Ignorem a influência que Skyrim e as Crônicas de Gelo e Fogo fizeram comigo.
Eu tenho essas quedas por metáforas e não posso evitar.

 

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