Desde criança eu nunca entendi o porquê de ter que me vestir como os outros, como as menininhas que eu tanto desprezava. O clichê sujo. Mas não estou dizendo ser tão diferente, só que meu cérebro tem algum defeito. Eu nunca desejo atitudes padronizadas das pessoas. Eu sempre desejo que elas não façam o que é o esperado a se fazer, eu espero que se destaquem, que façam algo que as marquem na minha vida. Raramente fazem. Quase nunca fazem.
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Hoje acordei diferente do costumeiro (do meu costumeiro para férias). Cansei de acordar, jogar o dia inteiro, babar na internet até chegar a noite e voltar pra cama. Minha vontade adormecida de ler muito voltou, minha vontade de escrever voltou. Não posso abandonar Roxy agora. Talvez a onda inspiradora tenha vindo de nuvens de radiação de programações para o futuro. Coisas assim costumam me excitar e me tirar do ócio mental. Meu corpo está podre, meu cérebro, dormente, há dias. É uma sensação horrível a de querer fazer alguma coisa e não ter ânimo para começá-la, ou apenas para se levantar e simplesmente fazer. Sedentarismo é muito pouco nesse caso. Parece mais preguiça de viver e simplesmente coexistir. Muito pouco pra mim, muito pouco pra Fabiana que eu conheço. Mas ultimamente eu ando dormente. Num estado latente. Coloco uma música bem foda e espero apenas sair do transe. Hoje eu saí. Apesar de ter dormido uma hora agora pouco, o que eu NUNCA faço, já que dormir de dia é uma coisa que não consigo fazer a não ser quando fico doente, acordei renovada não sei do quê, talvez da morbidez, e pronta a encarar certos desafios os quais impus-me há alguns meses. Estou pronta para lidar com o que é meu de nascimento, pronta para lidar com os outros de uma forma diferente. Talvez até tratá-los diferente, o que não garanto, já que serão os mesmos, como sempre são.

