what a mess


   Mil anos desde a minha última vez aqui. Quantas águas já rolaram embaixo da ponte? Creio que até musgos já se formaram no caminho. E mesmo assim, certas questões continuam as mesmas; pelo simples motivo de adiar. Não gosto muito de pensar nos problemas que doem, principalmente naqueles que farão outros se doerem. Não pretendo machucar a ninguém. Então eu adio. Adio e aquele cisquinho no olho continua lá, continua me fazendo mal enquanto evito achar a solução e ferir alguém. Altruísta masoquista ou boboca estúpida?
   Eu gostaria de uma resposta.

   Vou tentar.

   Ou tentar tentar.

   Talvez com a idade venham coisas que não se possa mais evitar ter, que não se possa mais pensar como se fosse uma adolescente ávida em experimentar a vida, beijá-la e sentir o gosto de sua boca, ora doce, ora amarga. Há responsabilidades e as coisas antes “normais” passam a não terem a mesma conotação. Complicado, como eu sempre imaginei que os adultos fossem.
   Seria bom poder pensar menos em tudo, poder agir sem tentar não deixar rastros, sem tentar não deixar marcas, ou sentimentos… Ah, eu, a infante racional e pródiga, aquela que virou uma mulher racionalista e que põe sentimentos abaixo da verdade que criou. Há tanto o que consertar nessa minha cabeça, há tanto o que corrigir para que eu mesma possa corrigir minhas relações com as pessoas. Há muito trabalho psicológico pela frente. Estou longe de estar consertada, longe de ter todos os rasgos remendados pelas linhas finas e lindas do conhecimento e da ciência de mim mesma; mas eu estou empenhando minha vida nisso. 
   Quem sabe eu pare de cuspir regras na minha própria cara e me deixe sentir mais. Sentir que estou viva e que eu posso sentir o que quiser, que posso deixar as diferenças de lado e respirar simplesmente.

   Seria ótimo conseguir, serviria pra muita coisa, me libertaria para várias pessoas, deixando-as que se aproximassem de mim, que o cadeado da minha birra juvenil se quebrasse em pedaçinhos. Consertar os estragos da adolescência.  
   Quero. E isso, por hora, deve bastar.



Ps: Eu sei que demorei meses pra postar de novo, calma, eu ainda não abandonei isso aqui. É só que depois da terapia, fiquei um pouco tímida em desabafar com este velho terapeuta que é meu blog. Vou continuar vindo aqui, com vários propósitos, por vários motivos. Afinal, escrever sempre me ajudou a me curar ;)

 

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