elocuções


Algumas palavras não podem ser ditas.
Algumas palavras bastam ser imaginadas, desejadas.
Algumas pessoas têm a terrível mania de desperdiça-las, jogá-las ao vento desmerecendo o sentido profundo e real dos vocábulos.
É triste. É banal.
Eu sinto, sou humana, de carne.
Talvez a mera reprodução auditiva seja um defeito da minha alma,
defeito nem tão defeituoso.
Mas eu sinto. Às vezes.
Algumas palavras merecem serem sentidas, outras apenas escritas, ou cantadas.
Depende do dom congênito de cada ser, o contrário do defeito, que me humaniza.
Afinal somos todos iguais na composição fisiológica, mesmo quando as palavras pedem expressões distintas, intensidades particulares.
O grande mistério talvez deva ser descobrir o porquê dessas palavras
terem a necessidade de sair do âmago; independente do meio que o faça.
Somos os meios, somos as palavras.

 

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