The Sims. Foi o grande vilão na minha formação? Será que por culpa de um jogo (foda, mas apenas um jogo) eu tenha adquirido esse caráter controlador? Duvido muito. Mas quem sabe o tenha alimentado com o passar dos anos? As pessoas continuam teimando que GTA faz os jogadores se tornarem mais violentos, pode ser eu que tenha me tornado compulsiva por controle, então. Embora eu tenha sido uma menina meio moleque, o GTA nunca me tornou violenta; talvez apenas frustrada por não poder pegar uma metralhadora e destruir todos aqueles que aparecessem na minha frente. Muito triste isso, mas violenta? Não. Sou contra essa teoria babaca.
Voltando ao The Sims. Eu amodoro esse jogo desde antes de ter computador e jogar na casa de uma amiga. Foi amor à primeira vista; me viciei e não deu mais pra parar. Controlar a minha vida virtual era a coisa mais foda que alguém poderia ter inventado. Obrigada, Will Wright! Engraçado é que eu não consigo jogar com outros sims que não os meus; isso remete à minha vida real, não dou a mínima pra vida alheia e não acho graça cuidar delas. Apenas da minha e isso já é difícil o bastante. Mas nem tudo são flores nesse gamezinho inocente.
Ultimamente andei me analizando mais, consequência talvez da história que ando escrevendo e que cuja personagem principal é minha alterego; penso muito em minha personalidade e características enquanto crio as dela; e andei reparando no TOC com o controle de tudo que eu tenho. Eu não me entrego às coisas se elas não estiverem de acordo com o sinal positivo do meu cérebro (vamos desconsiderar os momentos em que não estou em meu juízo perfeito, okay?). Tenho mania de fazer as coisas acontecerem no meu tempo, mesmo que no das outras pessoas também esteja bom pra mim. É uma mania; eu espero e acabo surpreendendo, às vezes, ou pegando as pessoas com a guarda baixa, não é a minha intenção. Eu tenho um 'time' diferente. Um 'time' controlado.
Mas nem tudo que eu faço na vida é controlado, claro, ou isso aqui seria uma chatisse completa! Qual a graça de nada de surpreendente acontecer? De nada improvisado? De não sofrer um sufoquinho? Uma lástima. Também gosto de sentir frio na barriga por tomar uma escolha em cima da hora, ou tão emocionante que não me faça pensar direito. É uma sensação muito boa, porém, nem sempre querida.
Temo que controlo tudo por querer que as coisas ocorram sempre muito bem, e isso me leva ao meu perfeccionismo, que ultimamente tenho tentado deixar um pouco de lado, simplesmente por não conseguir viver direito. Estou praticando. Perfeccionismo demais só leva à infelicidade e descontentamento consigo mesmo (calma, isso aqui não vai virar livro de auto ajuda não, tá?). No fim do ano acabo ficando com sequelas gravíssimas e perdendo pedaços de mim pelo caminho. Depressões. Culpa do excesso de perfeccionismo; falar em se privar dele é fácil, quero ver conseguir na prática. Até nas tarefas eu quero ser arrumadinha e perfeitinha demais, tanto que eu até acabo esquecendo de outras coisas (quer dizer, arrumadinha na minha desorganização, mas pra mim está arrumado e pronto, mãe!). Não tenho conserto.
Eu tento, inutilmente, conseguir entender minha cabeça. Nunca vou conseguir tal feito. Nem ninguém, os neurologistas se matam, os psicólogos se matam de tanto estudar. Há coisas que nunca serão compreendidas. Mas posso tentar criar métodos para sofrer menos. Sei lá. Tenho tantos conflitos psicológicos que se for querer entender todos, estou fodida. Só não quero prejudicar as pessoas no meio do caminho, como eu sempre digo. Embora ultimamente, os meus controles só tenham me trazido coisas bowas. Haha.
Vou indo lá. Tenho serviços pra fazer. Escrever um pouco. E sem álcool. Tarefa nem tão impossível pra esta noite tão inspiradora. Está chovendo e aqui onde me encontro faz bastante frio. Amo frio. Amo chuva. Amo o que estou sentindo agora, apesar dos pesares. Seguiremos em frente, ora.
G'nite,
bêaj.

